Hora de dar uma fecundada
DAVID COIMBRA
Tenho um amigo que está fecundando. Uma chatice. Sei que é, porque já fecundei. Acontece assim: a mulher quer ter filho e aí começa a planejar a coisa. Vai ao médico, faz exames e programa as "relações" para os dias em que estiver fértil. Já parte daí o problema. Esse negócio de "relações". Chamar sexo de "relações" causa impotência e esterilidade, por Deus. Não tem cabimento você chegar para aquela morena em quem ficou jogando chalalá a noite inteira em frente a chopinhos cremosos e crimbles crocantes e propor:
- Bamos ter relações, brinzeza?
Não dá.
Mas, quando a mulher pretende engravidar, a atividade toda se torna muito formal, muito sistemática. Os dois estão à mesa do almoço e ela informa, enquanto pesca um pepino do pote de conservas:
- Hoje estou ovulando.
Ele, trinchando uma coxinha de galinha:
- Isso quer dizer que temos de fecundar?
- É. Precisamos fecundar.
- Vou tomar muita gemada, então.
Esse meu amigo, uma noite nós estávamos no bar e ele pediu a conta, disse que tinha de sair.
- Tão cedo? - perguntei.
- É que tenho que fertilizar a minha mulher.
- Ah. Fertilizar é tão aborrecido...
- Muito. Mas sabe como é. Obrigações conjugais.
- Eu sei, eu sei. Vai.
- Tiau.
- Tiau.
E lá se foi ele, suspirando, melancólico.
Eu, quando estava fertilizando, sentia-me um agricultor. Até tentava levar com bom humor. Antes de ir para a cama, anunciava:
- Bom, vou dar uma fertilizaaada...
O curioso é que quando a gente fertiliza ou fecunda ou tem relações o troço não funciona. A mulher não engravida. Foi assim comigo, foi assim com todos os que conheço e tem sido assim com esse meu amigo de quem falei acima. Ele não consegue fecundar. Mas sei quando o troço dará certo. Quando o casal estiver distraído, quando não tiver planejado nada, quando se cevar no prazer, é assim que meu amigo se tornará pai. O que só confirma a grande verdade: não há o que substitua o velho e bom sexo.
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Texto para Aline e Nego
Pessoal, aproveitando o momento do casal achei este texto do jornalista David Coimbra publicado na Zero Hora de 21/04/2008. O texto tem "tudo a ver" com o momento.
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Um comentário:
Da-lhe Nêgo!!!
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